Sentado na calçada, ele observa o movimento, os carros passam, as pessoas vão e vem.
Ele vê quem não gostaria, a tempos seu coração não apertava, ele se sente triste.
Ela entra no carro, com outro alguém, ele observa tudo isso, um vento bate, e ele sente uma tristeza enorme, o peito vazio, a boca amarga.
A dor se instaura, facilmente, e ele continua sentado, imagina que não seja ela, e no fundo deseja que seja apenas alguém muito semelhante.
O que o mágoa mesmo, é vê-la e saber que ela não sente mais nada, que se tornou uma pessoa ruim, sem objetivos, sem rumo, sem respeito e sem amor.
Ela estava perdida, assim como ele, e durante um tempo ela ensinou quase tudo que ele sabe.
Ele nunca se entregou, e quando o fez, foi largado, quase que um trauma.
O carro passa na sua frente, e ela esta sorrindo, e seu sorriso é como se ela soubesse que ele está vendo, e gostasse de atormenta-lo, ele então, vê o “outro”, mas tendo a certeza, de que não será suficiente para ela, pois um dia ele já foi mais do que qualquer pessoa seria, de graça, ele foi, e nunca pediu nada em troca.
A dor se foi com o carro que ela estava, e ele deixou de se sentir culpado, e sabe que finais felizes só existe em filme e livros, o final dela, ao menos desse momento não foge a regra, e a chance que ela tem de ser feliz, é nula, mas pra quem já viu tantas coisas, o impossível está na cabeça de quem não quer ir contra o destino, e so prefere o acaso.
Os caminhos se separaram, e ele segue a pé com o vento o empurrando, triste por vê-la ser quem não é, e o peso de outrora, agora é somente o seu fardo.
Já é quase de manhã, e ele não pregou os olhos.
Ele se levanta, senta na beira da janela.
Ainda é noite, e as lembranças ainda ô açoitam.
Ele desce as escadas, os móveis estão empoeirados, a luz da noite rompe a janela.
A casa está vazia, as paredes cheias de infiltração, os quadros estão tortos, as prateleiras penduradas.
Sua vida é uma historia, de anti heróis.
Ele ri ao ver fotos de um passado, como se fosse uma outra vida, ele não consegue mentir para ele mesmo, ainda gostaria de que a casa tivesse cor.
Hoje tão vazia, o azul predomina, alguns vizinhos o olham com nojo, como se ele fosse um verme, mas não entendem a dor, tolos, ignorantes, dignos de repugnância.
Ele revive todo dia, ele sente a dor todo dia, a casa ainda não desmoronou, e com tudo isso a sanidade nunca faltou.
Ele duvidou de sua fé, de sua coragem, duvidou de tudo e todos, quando a casa se esvaziou, ele perdeu o rumo, caiu de joelhos, e gritou.
De nada adiantou.
Sucumbiu perante o sentimento, e durante certas noites, ainda sucumbi.
Não adianta mais chorar, ele já percebeu.
O dia está nascendo lá fora e ele ainda olha a casa com nostalgia.
A saudade está por todos os cantos, as pessoas não entendem porque ele ainda vive aqui.
O processo do desapego, ainda está em andamento, a casa ainda faz parte de sua vida, e a memória não ô deixa esquecer.
Ele para e olha a janela, os primeiros raios de sol rasgam o céu, ele sorri, e sua cabeça não para, ele só lembra que a próxima noite vai ser igual, e lamenta por ainda não ter cortado os grilhões que o prendem ao passado.
Mais um dia, menos um pedaço, menos um dia, mais uma tortura.
E ele volta para o quarto, fecha a cortina, deita na cama, e quando o sol adentra seu quarto, é quando ele dorme, enfim sossegado.
(via a-square)
Tantas pessoas se foram, tantas juraram ficar e por mais que tenha feito tudo por elas, hoje não estão mais aqui. Prometi, prometi a mim mesmo, que a partir de hoje fique quem realmente quiser.
—O Contador (via partedopercurso)
(Source: contadordedecepcoes, via muitomeu)
(via intheskybeingaloner)
Eu estou escorado sobre os escombros do meu “predio”.
Tudo esta queimando, as cinzas estão no ar.
Você está reconstruído, reestruturando seu “predio”.
E eu procurando sobre os escombros, algo que eu sei que foi destruido, os resquícios se uma bela arte, são apenas cinzas.
Perdi tudo, meu lar, meu coração, minhas forças, minha vida, mas continuo vivo !
O que eu não esperava, foi o que aconteceu, de todos os modos, e quando você abre os olhos, e vê pela primeira vez, você abre um mundo que nunca mais volta a se fechar.
Cegueira. Surdez. O que me sobrou foi o grito.
E eu gritei, e quando esperava que fosse em vão, do escuro, surgiu uma mão, que me levantou, e de repente outra, e outra, e as ilusões que me assombravam junto com os destroços de um destino, sumiram, eu vejo que as mãos estão me erguendo, e elas são concretas.
Por algum tempo eu me vi sentado, olhando com lágrimas o que tinha sido destruido, agora eu estou em pé, me sentido rodiado por verdades, e vontades, “pessoas” que depositam fé em mim, de graça.
Não estou pronto pra deixar os destroços, mas estou pronto pra guardar o que ainda tem valor.
Não deixei ir essa dor, eu aceitei, porque ela é de verdade, e as ilusões são fantasmas que se você deixa entrar, não se vão.
Enquanto você se cerca de ilusões, falsos amigos, e miragens de felicidade, eu encaro a verdade, com certeza de que os machucados, as queimaduras, as dores e os destroços, vão me re-erguer, vão me dar certeza do que eu quero, e as pessoas que me cercam, são de verdade, e que toda a ilusão que eu possuo nesse momento e a de que você está feliz, porque no fundo você não abriu os olhos pra verdade, e quando abrir eu não vou estar do seu lado pra te guiar, você vai precisar descobrir sozinha, ou procurar pelos conselhos, fotos, cartas e outras coisas mais que um dia eu te dei e mostrei, e ver que o que eu passei, foi de uma dificuldade enorme, e passei por isso porque eu encarei de frente, e que pessoas de verdade me estenderam a mão, e afastaram todas as ilusões, se for pra ser, você vai poder contar comigo, mesmo eu não podendo contar com você, eu não vou deixar de estender minha mão se você precisar.
Que a caminhada seja dura, que tenha muitos espinhos e barreiras, porque eu tenho força suficiente pra passar por tudo, e calos pra não sentir as escoriações. Eu deixo ir, eu me permito seguir, me curar, e algum dia eu vou estar totalmente liberto, pronto pra voltar se for preciso.
Meu caminho esta cheio de pedras, e pouca luz, sigo meio cego, nessa andança tortuosa.
Difícil é esquecer o que ainda esta em carne viva, queria me perder, pra não voltar a te encontrar.
Eu caio, caio, caio, mas levanto, não tenho forças pra lembrar, só me resta forças pra esquecer, arrancar de vez toda essa “merda” que ainda esta grudada, é uma dor que não tem mais remédio.
Eu poderia esperar, pela luz, mas não seria pela minha própria, seria pela sua, e esperar que você veja, é pedir de mais.
O destino separou caminhos que se cruzaram, e ir contra, seria jogar a esmo uma força que eu não posso desperdiçar.
Minha ultima aposta foi em vão, foi um blefe suicida, que me custou marcas irreversíveis, e o que eu não pude ganhar deixei que se fosse, por amor, antes de tudo, foi por amor próprio, puro egoísmo que eu não tinha, e vendo as circunstancias tive que cria-lo.
Egoísmo na carne, no espírito, o que vai ser daqui pra frente ? A dura solidão de seguir a diante quando se sonha que isso seja a penas um pesadelo.
Fim de um capítulo confuso, inicio de uma jornada, buscando provar que estar sozinho não é não ter felicidade e sim não ter magoas e nem arrependimento.
(Source: muitomeu)
(Source: desapegar-se, via muitomeu)
